sábado, 2 de novembro de 2013

Retrocesso.


"Choques de realidade podem causar danos irreparáveis" dizia a embalagem. Como se eu não soubesse... O aviso me impediu por uma ou duas vezes de ingerir o conteúdo, mas o risco corrido era mais excitante do que me manter a salvo. Bem que minha mãe dizia que amigos nos influenciam um bocado a fazer tais coisas. Sempre discordei, a razão era minha, ninguém me influenciaria. Engano meu. Não que eu queira afastar a culpa de mim, porque, sem duvidas, é. Só quero dizer que existem mais pessoas com parte nisso tudo. Se hoje me despeço de uma das minhas mais agradáveis criações, saibam que vocês tem culpa sim, meus queridos.

"Foi com a melhor das intenções", dizem eles. Acredito e sei bem que é totalmente verdadeiro. "Botava fé de que te faria bem", dizem outros. Pois é. Eu também. Apostei minhas fixas, usei todo o estoque de pensamentos positivos e até as melhores de minhas orações. O problema é que não devemos ir em frente quando as expectativas já passam dos limites e temos plena consciência de tal deslize.

Venho por meio deste emaranhado de pensamentos jogados a esmo em tal página em branco, me despedir de minha criação. Quando criamos personagens, nos sentimos deuses, mas acabamos esquecendo que quando os trazemos pra realidade, tudo foge ao nosso controle. Por fim, alguns andam dizendo "você desistiu muito cedo, dê mais uma chance!". Não há mais chance. Deveria ter parado quando estava ganhando, mas agora é tarde, pois todas as cartas estão na mesa e já me retirei da partida.

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