quinta-feira, 18 de julho de 2013

E o amor, o que é?

"O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome. (...) O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte."

Amor é sentimento voraz, te consome, te confunde, te inunda. O amor não pede licença, entra sem bater, sem que seja chamado e domina sem consentimento algum. Te muda, pra melhor, pra pior.

Amar é frio na barriga, é suor nas mãos, calafrio. É vontade de ver, tocar, sentir. De ter perto todo o tempo, de colocar quem amamos dentro da gente. De nunca mais soltar, ou deixar ir embora. Amar é esperar. Ser paciente mesmo sabendo que pode não dar certo. É esperar que dê. É torcer e crer que dará. E mesmo que não dê em nada, deu. Deu em amor.

Amar é saber e, ao mesmo tempo, não ter noção nenhuma. É se assustar com um sentimento estranho e sem sentido algum que toma conta dos teus pensamentos, dos teus dias e do modo como você enxerga o mundo. É o que te faz ver as cores do amanhecer de um modo diferente. O jeito de ouvir a voz e sorrir. Sorrir, sem sentido.

Amar é se pegar cantarolando a música preferida do outro, mesmo sem gostar tanto. É ver o copo sempre meio-cheio, mesmo quando ele entorna. Amor é querer, é desejar. Desejo, da forma mais primitiva e avassaladora. É acordar de madrugada e sentir falta da presença ao teu lado. É querer dormir, só pra sonhar.

É pensar que vai durar pra sempre, mesmo sabendo que não vai.

escrito pra edição "Amor, o que é pra você?" da Corrente Literária

2 comentários:

  1. "É pensar que vai durar pra sempre, mesmo sabendo que não vai."

    Nossa, Laura, this way you gonna kill me <3
    Lindo!

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