domingo, 25 de novembro de 2012

Coisas que eu prefiro que você não leia - part. 02

Desde o dia em que você tirou o meu chão, não tive vontade de chorar.

Um dia depois, o céu amanheceu de um azul incrível e a felicidade pelo clima nem-tão-quente-e-nem-tão-frio era clara no rosto das pessoas. Isso me deixaria feliz, se fosse um dia qualquer, mas minha mente só conseguia formular a cena da minha mão entrando com toda a força do meu corpo no meio da sua cara. Parece que o mundo resolveu ser todo sorrisos e eu aqui, com essa cara de desgosto e esse amargo nos lábios. O dia nem parece tão ensolarado pra mim. E o clima me parece tão gélido que até tirei do guarda roupas aquela jaqueta velha e aquele par de tênis que você supostamente não gosta. Talvez nem eu goste, mas é como forma de te atingir, entende? Assim como todos os desaforos que eu te disse da última vez em que nos vimos. Ou dos que eu te disse noite passada, enquanto as cervejas da festa ainda faziam efeito sobre as minhas palavras e você insistia em estabelecer uma conversa sobre o que aconteceu. Não, não que eu me arrependa. Muito pelo contrário. O negócio é que tudo isso dói. Dói muito mais do que deve estar doendo pra você.

Desde o dia em que você tirou o meu chão, esta é a primeira vez que tenho vontade de chorar.

Acho que isso é sinal de que todo aquele sentimento ruim que você me causou, tá virando um pior ainda. Mágoa. Você já teve mágoa? Você deve imaginar o quão ruim é sentir isso. É como se tivesse uma torneira mal fechada dentro do coração, que fica pingando e pingando e pingando, até tudo transbordar e você morrer afogada. 

Desde o dia em que você tirou o meu chão, esta é a primeira vez que choro.

Se lembra de quando eu te disse (isso não faz muito tempo) que andava sem sentir nada? É, graças a você, isso mudou nesses ultimos dias. E quanto a isso, eu te agradeço. Sério. Não é uma provocação. Talvez seja a única coisa boa que eu tenho tirado dessa situação toda. Muita coisa que eu não andava sentindo mais, veio a tona. Veio rápido demais. Voltando do nosso último encontro, senti a gravidade reestabelecida, por culpa do peso que passei a carregar dentro de mim. Aqueles sentimentos todos misturados não tem deixado a gravidade me levar. Isso é bom, né? É, é sim. E veja só, eu tô escrevendo de novo. O meu bloco de notas anda cheio, graças a você. Talvez sejam os piores textos que eu já publiquei ou publicarei. Mas, sem dúvidas, são os mais carregados de sentimentos.

Um comentário:

  1. Acho que a melhor parte em odiar alguém, depois de se magoar com o ser, é poder escrever esse tipo de catarse. Porque eu sinceramente acredito que o ódio nos dá uma parcela de claridade nos atos, que não advém de nenhum outro sentimento. A gente enxerga melhor as banalidades a que fomos submetidos e começamos a formular as melhores saídas para a decepção amorosa. É claro que só dá certo se nos lembrarmos de que a dor faz parte e que isso um dia acaba, e que a felicidade vem de volta, que tudo volta ao normal. Porque ninguém é insubstituível e a autoestima é o que nos define.

    Beijo, Laura.

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