sexta-feira, 13 de julho de 2012

Meio Punk, meio funk, meio bossa nova.

"Mas e aí, quem é você quando ninguém está olhando, Laura? Será que você se conhece tão bem assim?"
Foi assim que ela me desafiou. Admiti que não e a convidei então,  a assistir o que eu realmente sou. E eis o relato do que ela encontrou:

"Eu a conhecia bem. Pelo menos era o que eu pensava. Me escondi em um canto qualquer e a vi. Aquela menina, toda segura de si, toda decidida, se mostrava um pouco diferente quando distante dos olhos de todos. A peguei sentada em sua cama, de meias e pijama, rabiscando algo em seu caderno de sonhos. Ao fundo, algo com sax tocando e ela se perdendo em meio a música, em meio aos sonhos. Ria sozinha, ria a toa, brincava com os próprios cabelos e desejava imensamente aquele outro alguém ao seu lado. Mas quem diria, não é? Ela que dizia tanto que a vida é fácil, se perdia em seus próprios paradoxos, em seus medos. Quando sozinha, se transformava em outra pessoa. Uma garotinha que ainda sonhava com pôr-do-sol no fim da tarde, andar de mãos dadas e juras de amor. Com amores impossíveis, com mundos paralelos e finais felizes. 

A segui num fim de tarde qualquer, quando resolveu dar uma volta pra esvaziar a mente. Ela tinha uma mania de ocupar a cabeça com problemas sem soluções, por pura diversão. Pela rua, prestava atenção em mínimos detalhes, memorizava sorrisos e ficava admirada com as cores que o sol formava no céu. Olhava pros lados pra ver se ninguém a via com cara de boba olhando pra cima. Sorria ao ver que alguém reparava quando se empolgava com a música em seus fones de ouvido. Parava pra escrever a todo momento quando uma idéia lhe surgia a mente. O mais curioso foi ver, que quando algo lhe deixava admirada, sacava seu celular e tirava fotos em péssima  qualidade, vez ou outra até filmava, anotava a data e a hora só pra, antes de dormir, ver tudo de novo e lembrar  das sensações que o momento lhe causou.

Mas, meus caros, a coisa que mais me deixou boquiaberta quanto a Laura, foi quando ela"

E assim terminou seu relato. Dei-lhe um tiro na testa antes de terminar. 
Vocês acham que eu realmente deixaria revelarem todos os meus segredos desse jeito? Afinal, se sou diferente quando ninguém está olhando, é porque não é pra ninguém saber. Certo?

(Contribuição para a Corrente Literária "Quem", e que venham outros!)

3 comentários:

  1. Sim, Laura, que venham outros textos, inclusive seus...

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  2. UOU, que final. Gosto de saber que só você sabe quem você realmente é.
    Acho que faz parte da sedução, não?

    Beijo, Laurinha.
    Sucesso!

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  3. adorei de rir,
    o final foi bem ótimo
    =)

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