sexta-feira, 27 de julho de 2012

E se eu tivesse feito diferente?

Hipotéticamente, aceitei a bolsa pra Audiovisual que recebi no início do ano.
No Rio de Janeiro.


Aceitei, e nem pensei duas vezes. Deixei tudo e todos pra trás e fui. Fui morar em uma república com mais 3 meninas e 2 caras. Todos de lá, menos minha colega de quarto. Uma casa com 3 quartos, uma cozinha bem grande e uma sala onde passavamos as noites vendo filmes, jogando alguma brincadeira envolvendo bebida alcoólica, ou onde dormíamos quando alguém do grupo queria usar o quarto pra transar com alguém que conheceu na noite anterior.

Conheci o campus, criei amigos, descobri coisas que talvez não teria descoberto se tivesse continuado em São Paulo. Deixei o cabelo crescer, não gostei, cortei. Aprendi a surfar. Não muito bem, só de brincadeira, pra desestressar com a galera depois da semana de provas. Conheci meu lugar preferido no mundo. Sempre que me batia uma saudade de "casa", ia até a pista do arpoador, sentava e olhava o mar. Às vezes escrevia... Mas geralmente, deixava tudo guardado na gaveta do meu quarto. Não tinha mais um blog. Às vezes deixava minha colega/fuck friend/amiga de quarto ler. Ela geralmente tinha esse mesmo problema, e acho que foi por isso que nos demos tão bem. Ela me acompanhava na caminhada até arpoador. Ou eu a acompanhava, quando não estava legal. Se ficávamos tristes, faziamos uma a outra o papel da melhor amiga que deixamos em nossa cidade, mas iamos além. Ultrapassava o abraço amigável, as palavras de conforto e acabava em calor humano, barulhos noturnos e companhia na cama. Nos envolvíamos de uma maneira bonita, sem cobranças, livre. 

Houve uma noite em que todos estavam numa bad. Sentamos todos na sala, peguei o violão e cantamos a noite toda, entre becks e cigarros e copos de vodka. Começamos ecoando em coro: "Eu ando tão doooown" e terminamos com alguma música animada, da qual não consigo me lembrar muito bem. Entramos em desvaneios e dividimos as tristezas. Expulsamos elas de nossa casa e dormimos todos juntos, no chão da sala.

Eu me sentia bem naquele meio, me sentia acolhida, as pessoas eram incríveis, o lugar era incrível. Tudo ali me fazia bem. Mas algo me incomodava...

O pensamento: E se, hipotéticamente, eu tivesse continuado em São Paulo?


"Pra voltar pra ontem,
sem temer o futuro.
E olhar pra hoje cheio de orgulho.
Eu voltaria atrás do tempo"

2 comentários:

  1. Ai que delícia, Laura. Criou uma ponte entre o que é e o que seria maravilhosa.

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  2. Isso me lembrou disso: "...se eu soubesse antes o q sei agora, erraria tudo exatamente igual" (Engenheiros do Hawaii) - belo post.

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