terça-feira, 24 de maio de 2016

vista II

fica caçando pedaços do que um dia jurou ser amor

jura falsa e descabida
você lá sabe o que é amor?
sabe lá o que é sentir algo bom por alguém?
algo que sai de si desenfreado
coisa que não se pode conter
lançado do teu âmago diretamente ao peito de outrem?

já amou algo
além do próprio
espelho?

forja falso amor
lança fagulhas de ego
embaladas em sentimento
para

minha percepção é falha
você sabe o que aconteceu
minhas concepções todas estão quebradas
e qualquer pedaço de lixo que me atires
tenho tomado como
amor

eu te avisei

(...)

segunda-feira, 23 de maio de 2016

vista I

me entrego a ti
nua em pelo

isso tudo lhe incomoda
faz questão de me vestir

a carne nua açoitada
por tua falta de saber lidar

sigo agora em frente
trajando teu desamparo
tua indiferença
meu desespero

descrente

(...)

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Sobre nós

É tudo sobre nós,

o presente
o laço
o abraço
as amarras.
é tudo sempre sobre nós

Tudo passa.
Tudo sempre se desfaz
mas não nós

Nós cegos
Sempre ficam(os)
atados

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Foto: Jéssica Corrêa

Eu costumava acordar no meio da noite sentindo a sua falta. Essa minha mania de sentir falta das coisas que já tive, das coisas que não posso mais ter. Eu sei que foi consequência das minhas escolhas, eu sei. Mas o ponto é que eu costumava acordar no meio da noite sentindo a sua falta. Falta do som da sua voz, do cheiro que você costumava deixar em minha roupa, das músicas que ouvíamos juntas. De todas as coisas. Das nossas coisas. 

Das noites que acordei sentindo a sua falta, minhas companhias eram o meio-fio da calçada, o maço de cigarros que eu abominava na mão das outras pessoas, uma caneta qualquer e o velho bloco de notas. Nas madrugadas, frias ou quentes, eu te escrevia.

Eu te escrevia coisas lindas, porque era tudo que eu tinha.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Sempre preferi ciências e português à geografia quando estava no colégio. Agora, sofro pra me encontrar no mundo enquanto minha vida fica cada vez mais parecida com um experimento científico de um romance mal escrito qualquer, daqueles que a gente encontra por um real nos sebos do centro de Florianópolis.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Tem dias que você foge de tudo, de todos e até de si mesma pra se encontrar. Tem dias que se encontrar faz você se sentir mais perdido que nunca. Tem dias que você muda de cidade pra ver se encontra uma novidade que te faça voltar a vibrar. Tem dias que você sente saudade das velhas novidades que te faziam se sentir em paz. Tem dias que você quer se apaixonar pela primeira pessoa que passa pela rua, pra sentir o frio na barriga, o coração pulsando forte, a sensação de começo. Tem dias que você prefere não gostar de ninguém, só pra lembrar como é estar inerte.

A gente nunca tá satisfeito com nada.

sexta-feira, 11 de abril de 2014